Emergências

Quase 1 milhão de pessoas fugiram dos 5 anos de violência em Moçambique

ACNUR fornece assistência em Moçambique
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Seg, 10/17/2022

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh - a quem pode ser atribuído o texto citado - na conferência de imprensa do dia 4 de outubro no Palais des Nations em Genebra.

Há cinco anos que a violência extrema eclodiu na província de Cabo Delgado no norte de Moçambique, forçando quase 1 milhão de pessoas a fugir durante esse período.

Tragicamente, o conflito não acalmou e milhares de famílias continuam a ser forçadas a abandonar as suas casas devido aos ataques de grupos armados não estatais. O ACNUR, Agência das Nações Unidas para os Refugiados, apela ao fim da violência e à comunidade internacional, para que forneça apoio sustentável para reduzir o sofrimento da população deslocada e das comunidades locais de acolhimento no norte de Moçambique.

A violência extrema e a deslocação tiveram um impacto devastador sobre a população. As pessoas viram os seus entes queridos serem mortos, decapitados e violados, e as suas casas e outras infraestruturas incendiadas. Homens e rapazes foram também recrutados à força por grupos armados. Perderam-se meios de subsistência e a educação estagnou enquanto o acesso a bens necessários, tais como alimentos e cuidados de saúde, foi dificultado. Muitas pessoas sentiram novamente o trauma após terem sido forçadas a deslocar-se várias vezes para salvar as suas vidas.

Cinco anos depois, a situação humanitária em Cabo Delgado continua a deteriorar-se e os números das deslocações aumentaram em 20 por cento, para 946,508 no primeiro semestre de 2022. O conflito alastrou-se agora à província vizinha de Nampula, que testemunhou quatro ataques de grupos armados em setembro 2022, afetando pelo menos 47.000 pessoas e deslocando 12.000.

As pessoas deslocadas durante esses últimos ataques disseram ao ACNUR que estavam assustadas e famintas. Têm falta de medicamentos e vivem em condições de aglomeração - com quatro a cinco famílias a partilharem uma casa. Algumas dormem debaixo de céu aberto. A falta de privacidade e exposição ao frio durante a noite e a outros fatores durante o dia, criam preocupações adicionais de segurança e saúde, particularmente para mulheres e crianças.

O ACNUR tem vindo a responder continuamente às necessidades das populações deslocadas nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa com assistência humanitária e proteção. Fornece abrigo e artigos domésticos, ajudando os sobreviventes da violência baseada no género com apoio legal, médico e psicossocial, e apoiando as pessoas deslocadas na obtenção de documentação legal. O ACNUR também apoia pessoas em maior risco, incluindo crianças, pessoas com deficiência e pessoas idosas.

Apesar da deslocação em curso em Cabo Delgado, algumas pessoas regressaram às suas casas em áreas que consideram seguras. No mês passado, o ACNUR e parceiros realizaram a primeira missão de avaliação de proteção em Palma, no extremo nordeste do país. Palma viu acontecer ataques mortais em março de 2021, que deslocaram a maioria das 70.000 pessoas do distrito. A maioria regressou nas últimas semanas.

As pessoas que perderam tudo estão a regressar a áreas onde os serviços e a assistência humanitária estão em grande parte indisponíveis. O ACNUR está preocupado com os riscos que as pessoas enfrentam caso continuem a regressar às suas áreas de origem antes de as condições estarem estabilizadas.

O ACNUR é favorável ao regresso de famílias deslocadas quando estas são voluntárias, seguras, informadas, dignas, e quando as condições são propícias, incluindo quando os serviços básicos são restaurados para assegurar a sua sustentabilidade.

O ACNUR considera que as condições de segurança são demasiado voláteis em Cabo Delgado para facilitar ou promover o regresso à província. Contudo, as necessidades crescentes de proteção e os serviços limitados para aqueles que optaram por regressar a casa devem ainda ser urgentemente abordados pelos intervenientes relevantes, incluindo autoridades e agentes humanitários.

O ACNUR está a trabalhar em estreita colaboração com o governo e outros parceiros para apoiar e defender a inclusão de todas as populações deslocadas nos serviços nacionais.

Em setembro de 2022, os 36,7 milhões de dólares americanos necessários para que o ACNUR prestasse serviços de proteção e assistência salva-vidas em Moçambique eram apenas 60 por cento financiados.

Em setembro de 2022, os 36,7 milhões de dólares americanos necessários para que o ACNUR prestasse serviços de proteção e assistência salva-vidas em Moçambique eram apenas 60 por cento financiados.