Emergências

30.000 pessoas fogem dos confrontos no oeste da República Democrática do Congo

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Qua, 10/19/2022

Este é um resumo do que foi dito pelo Representante do ACNUR na República Democrática do Congo (RDC), Angele Dikongue-Atangana - a quem se pode atribuir o texto citado - na conferência de imprensa no Palais des Nations em Genebra.

O ACNUR, Agência das Nações Unidas para os Refugiados, está alarmada com um surto de violência intercomunal mortal que deslocou milhares de pessoas, desde julho, na localidade ocidental de Kwamouth, na República Democrática do Congo (RDC).

Os confrontos iniciaram-se alegadamente devido aos impostos habituais sobre o uso da terra agrícola entre as comunidades Teke e Yaka. Mais de 142 pessoas foram mortas, incluindo algumas que foram decapitadas.

Até 6 de outubro, cerca de 27.000 pessoas - na sua maioria mulheres e crianças - foram deslocadas pela violência e necessitam de assistência urgente nas províncias de Kwilu e Mai Ndombe. Outras 2.600 pessoas procuraram refúgio na República do Congo após terem atravessado o rio Congo em canoas. Muitas foram separadas dos membros da família durante o seu trejeto

As fortes chuvas tornaram mais difícil para os civis chegar em segurança, e várias das rotas principais tornaram-se intransitáveis para os veículos humanitários que prestam assistência para salvar vidas.

As famílias permanecem traumatizadas pelos confrontos súbitos e violentos que irromperam nas últimas semanas de setembro e outubro. Disseram às equipas do ACNUR que fugiram para salvar as suas vidas e encontraram refúgio na floresta circundante, com os seus filhos. Muitos abandonaram as suas quintas e campos e deixaram para trás as suas colheitas nos celeiros. Os deslocados continuam a sentir-se vulneráveis porque a sua sobrevivência depende da boa vontade dos outros, incluindo das famílias de acolhimento e das autoridades.

O governo negociou com os líderes locais e enviou o exército da República Democrática do Congo para Kwamouth para restabelecer a ordem. No entanto, a situação de segurança permanece tensa.

Muitas famílias que viviam em Kwamouth e em aldeias circundantes abandonaram a área, uma vez que o conflito se estava a propagar rapidamente. Caminharam durante dias antes de alcançarem a segurança em Bandundu, a capital da província de Kwilu, a 245 quilómetros da cidade de Kwamouth. A cidade de Kwamouth e várias aldeias circundantes estão agora parcialmente abandonadas.

As famílias anfitriãs em Bandundu e outras cidades têm acolhido aqueles que são forçados a fugir, com vários chefes locais a liderar pelo exemplo. Um deles recebe 28 pessoas, incluindo uma mulher que foi submetida a uma cesariana no hospital de Bandundu pouco depois dos confrontos e um jovem que ficou ferido durante os combates. Outra família de acolhimento que a equipa de avaliação visitou está a alojar 77 pessoas com apenas uma casa de banho para todos. As condições de vida são precárias, com os recursos das famílias de acolhimento a esgotarem-se rapidamente. As famílias começaram a racionar e algumas comem apenas uma refeição por dia.

Os governos provinciais de Mai Ndombé e Kwilu estabeleceram um comité de coordenação de crise e um plano multissectorial a nível governamental para responder às necessidades.

O ACNUR e os seus parceiros estão a aumentar o apoio. O ACNUR está a enviar lonas para a construção de abrigos comunitários em Bandundu e está pronto a apoiar outras necessidades prioritárias de abrigo, artigos domésticos e de proteção.

Na República do Congo, as comunidades e autoridades locais acolheram os requerentes de asilo que chegaram. O ACNUR está a apoiar as autoridades na fronteira, nomeadamente através do registo de recém-chegados e da prestação de assistência.

Uma vez na República do Congo, muitos requerentes de asilo são recebidos por famílias de acolhimento. No entanto, mais de metade vivem em condições precárias, alguns dormem ao ar livre, enquanto outros construíram abrigos improvisados. Os que têm famílias de acolhimento enfrentam condições de aglomeração. A comida é escassa. Mais de 30 crianças subnutridas foram identificadas pela equipa de saúde local, incluindo uma criança com desnutrição severa que foi encaminhada para o hospital mais próximo em Gamboma.

O ACNUR apela à comunidade internacional a apoiar os esforços para aliviar as tensões em Kwamouth e aliviar o sofrimento das pessoas afetadas pela violência.

A última deslocação na RDC exacerba uma resposta já gravemente subfinanciada para ajudar os 521.000 refugiados e mais de 5,5 milhões de pessoas deslocadas internamente do país. Apenas 40 por cento dos 225,4 milhões de dólares necessários foram financiados.

Na República do Congo, o ACNUR apenas recebeu 16% dos 37,4 milhões de dólares solicitados necessários para a sua resposta aos refugiados, em 2022.