Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, Eujin Byun - a quem o texto citado pode ser atribuído - na conferência de imprensa de dia 17 no Palácio das Nações em Genebra.
O ciclone tropical Chido atingiu o norte de Moçambique no fim de semana, trazendo chuvas torrenciais e ventos fortes que devastaram comunidades nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. A tempestade destruiu casas, desalojou milhares de pessoas e danificou gravemente as estradas e as redes de comunicação, dificultando os esforços de socorro em áreas que já acolhem um grande número de pessoas deslocadas à força.
Embora a extensão total dos danos nas zonas rurais ainda não seja clara, as avaliações preliminares sugerem que cerca de 190.000 pessoas necessitam urgentemente de assistência humanitária, 33 escolas foram afetadas e quase 10.000 casas foram destruídas. Nalgumas aldeias, muito poucas casas permanecem de pé. Anos de conflito, deslocações forçadas e dificuldades económicas deixaram as comunidades da região cada vez mais vulneráveis. Para muitas famílias deslocadas, o ciclone Chido causou novas dificuldades, destruindo o pouco que tinham conseguido reconstruir.
Antes da tempestade, o ACNUR e os parceiros pré-posicionaram artigos de ajuda de emergência e apoiaram o Governo a partilhar amplamente mensagens de preparação para desastres em todas as províncias afetadas através da televisão, rádio, WhatsApp e linha direta, ajudando os comités locais de gestão de desastres a dar prioridade ao apoio aos grupos vulneráveis. Em Nampula, embora alguns distritos tenham sido afetados, os mais de 8.000 refugiados, principalmente da República Democrática do Congo e do Burundi, que residem no campo de Maratane sofreram danos mínimos, sugerindo que os esforços recentes para construir habitações resistentes ao clima foram eficazes.
O ACNUR está profundamente preocupado com o impacto nestas comunidades vulneráveis e está a trabalhar em estreita colaboração com o Governo de Moçambique e os parceiros humanitários para prestar assistência imediata. Nas primeiras 48 horas, o ACNUR prestou assistência no maior centro de alojamento em Pemba, a capital de Cabo Delgado, onde mais de 2.600 pessoas receberam ajuda de emergência e artigos essenciais, tais como cobertores, colchões para dormir, redes mosquiteiras e material de abrigo de emergência. O ACNUR está também a coordenar a prestação de serviços de proteção vitais para os mais vulneráveis.
O ciclone Chido causou uma devastação significativa em Mayotte, um território ultramarino francês, resultando em mortes, danos nas infraestruturas e riscos acrescidos para as comunidades vulneráveis, incluindo os requerentes de asilo e os refugiados. O ACNUR está a acompanhar ativamente a situação e a coordenar com os parceiros locais. No sul do Malawi, a tempestade trouxe ventos fortes e chuvas que provocaram a destruição de casas e infraestruturas em várias zonas. O ACNUR colocou previamente kits de abrigo para apoiar a resposta liderada pelo Governo.
O ACNUR está preocupado com o facto de o ciclone Chido poder assinalar o início de uma estação das chuvas intensa e destrutiva, que historicamente tem trazido ciclones e inundações graves à região. As comunidades deslocadas e os seus anfitriões, que já estão a lutar para recuperar, enfrentam agora riscos acrescidos de mais deslocações e perdas, o que demonstra mais uma vez que os impactos climáticos continuam a atingir mais duramente os mais vulneráveis.
O ACNUR está empenhado em apoiar as comunidades afetadas em Moçambique e em toda a região, trabalhando em estreita colaboração com os governos e os parceiros humanitários. No entanto, os recursos estão a escassear rapidamente e milhares de pessoas necessitarão de assistência urgente nos próximos dias.
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