Este é um resumo do que foi dito por Ewan Watson, Head of Global Communications do ACNUR – a quem podem ser atribuídas as citações – na conferência de imprensa de 12 de dezembro 2025, no Palais des Nations, em Genebra.
“Os refugiados, não estão sozinhos.”
Esta é a nossa mensagem para vós hoje – e todos os dias. Neste momento, mais de 117 milhões de pessoas permanecem deslocadas à força em todo o mundo, tendo sido obrigadas a fugir das suas casas. A cada minuto, alguém escapa à guerra ou à perseguição apenas para sobreviver.
O direito de procurar asilo – o nosso compromisso coletivo de oferecer segurança a pessoas com um fundado receio de perseguição ou que fogem de conflitos e da guerra – foi assinado pelos Estados em 1951. No entanto, essa promessa que o mundo fez há 75 anos de proteger as pessoas forçadas a fugir das suas casas está sob ameaça – mais do que em qualquer outro momento da memória recente.
Os desafios são imensos: o deslocamento é hoje mais complexo e mais prolongado; a paz é difícil de alcançar; e os défices de financiamento estão a devastar programas essenciais. Por vezes, pode parecer que o medo e a divisão estão a afogar a compaixão. Os espaços de asilo estão a encolher. A xenofobia está a aumentar.
E ouvimos as vozes que minam a Convenção sobre os Refugiados, que nasceu dos horrores da Segunda Guerra Mundial para garantir que aqueles que fogem para salvar a vida possam encontrar segurança. O financiamento humanitário foi drasticamente reduzido – no caso do ACNUR, a Agência da ONU para os Refugiados, em cerca de 35 por cento este ano até à data – deixando milhões sem acesso à segurança, à alimentação, ao abrigo e a serviços vitais de proteção, quanto mais aos meios para recomeçar de forma independente.
A nossa resposta é simples: o princípio do asilo salva vidas e é indispensável. Tem de ser respeitado. No domingo, 14 de Dezembro de 2025, assinalam-se 75 anos exatos desde a adoção do Estatuto de 1950 do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Ao longo de décadas, a Convenção salvou milhões de vidas. E o nosso mandato – proteger aqueles que são forçados a fugir e ajudá-los a reconstruir as suas vidas com dignidade – continua a ser tão crucial como sempre.
E, para além do ruído, há outra história viva – uma história de esperança. Comunidades em todo o lado continuam a apoiar os refugiados. Voluntários a receber famílias nos aeroportos. Professores a encontrar espaço nas salas de aula. Vizinhos a abrir as suas portas. Empresas a oferecer empregos. Universidades a conceder bolsas de estudo. Pessoas comuns continuam a fazer coisas extraordinárias, provando que a humanidade vence o ódio.
É por isso que é um enorme prazer estar aqui sentado ao lado do Chefe Sodea, vencedor global deste ano do Prémio Nansen para os Refugiados. Ele explicará, muito melhor do que eu alguma vez poderia, o poder das pessoas locais que ajudam aqueles que se encontram – sem culpa própria – dependentes dos outros.
A sua história demonstra que existem soluções – e que temos de nos unir para encontrar mais.
Na próxima semana, aqui em Genebra, no Balanço de Progresso do Fórum Global sobre os Refugiados, os nossos principais parceiros irão reunir-se. Em conjunto, analisaremos formas de: reforçar os sistemas de asilo para decisões rápidas e justas; expandir vias seguras como o reassentamento, a mobilidade laboral e a reunificação familiar; investir em parcerias locais e em organizações lideradas por refugiados; aproveitar a inovação, incluindo ferramentas digitais para registo, apoio financeiro e educação; e trabalhar com parceiros dos setores do desporto, da fé, da academia e das empresas para conceber respostas eficazes. Juntos, de baixo para cima, podemos superar o medo e a divisão. Podemos manter viva a esperança.
O ACNUR nasceu da determinação do mundo em reconstruir após a guerra e de uma crença partilhada de que proteger os refugiados é uma responsabilidade universal. Esse espírito de solidariedade é hoje mais necessário do que nunca. A promessa do asilo tem de ser mantida viva – e os refugiados não devem ser relegados para as margens. Assim, hoje enviamos uma mensagem clara a todas as pessoas forçadas a fugir: não estão sozinhas.
Para mais informações, por favor contacte:
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih, fala com estudantes refugiados na Escola Secundária da Big Heart Foundation, em Kakuma, Quénia.
Antigo Presidente do Iraque, Barham Salih, dirige-se à Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque,