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O Afeganistão enfrenta uma crise humanitária e deslocação prolongada

Embora as novas deslocações relacionadas com o conflito tenham diminuído nos últimos anos, o Afeganistão enfrenta uma das maiores crises humanitárias do mundo, com a deterioração dos Direitos Humanos, especialmente das raparigas e das mulheres, instabilidade económica e graves choques climáticos.

Quase metade da população necessita de assistência humanitária, o sistema de saúde está em colapso, fenómenos meteorológicos cada vez mais extremos agravam a pobreza e a insegurança alimentar, e as mulheres e raparigas têm acesso muito limitado a direitos humanos fundamentais, incluindo o direito à educação e ao trabalho. Uma lei de moralidade introduzida pelas autoridades de facto em 2024 trouxe novas restrições à conduta pessoal, aos movimentos e ao vestuário.

Mais de 20 milhões de pessoas, cerca de metade da população afegã, enfrentam insegurança alimentar e estima-se que 97% da população viva muito abaixo do limiar de pobreza. O Afeganistão enfrenta ainda o quarto ano consecutivo de seca prolongada, associada ao declínio económico provocado por décadas de conflito. Catástrofes naturais recorrentes, incluindo terramotos e inundações extremas, têm agravado a vulnerabilidade das comunidades em todo o país.

Os afegãos constituem uma das maiores populações de refugiados a nível mundial, com quase 90 por cento acolhidos no Irão e no Paquistão, mas ambos os países têm registado um aumento do sentimento negativo em relação aos afegãos, num contexto de crises económicas.

Os regressos em grande escala de países vizinhos, sobretudo do Irão e do Paquistão, têm aumentado a pressão sobre um país já fragilizado, colocando desafios adicionais às comunidades que recebem pessoas regressadas em situação extremamente vulnerável.

Entre setembro de 2023 e o final de junho de 2025, mais de 1 milhão de afegãos regressaram ao seu país a partir do Paquistão, a maioria após o anúncio do Governo do Paquistão de que deportaria estrangeiros indocumentados a viver no país.

Entre setembro de 2023 e 2025, mais de 1 milhão de afegãos regressaram do Paquistão, muitos na sequência das medidas anunciadas pelas autoridades paquistanesas relativamente ao regresso de estrangeiros sem documentação válida. Estes movimentos agravaram ainda mais as necessidades humanitárias no Afeganistão, colocando uma pressão adicional sobre serviços e recursos já limitados.

Outros 1 milhão regressaram do Irão no primeiro semestre de 2025, a maioria depois de o Governo do Irão ter começado a aplicar o prazo de regresso fixado para março de 2025. Os regressos do Irão intensificaram-se em junho, quando milhares de afegãos fugiram da escalada do conflito com Israel. O regresso abrupto de mais de 2 milhões de afegãos agravou ainda mais a crise humanitária e colocou uma pressão desmedida sobre recursos já escassos em comunidades vulneráveis.

Em 2025, o ACNUR reforçou a resposta de emergência para apoiar as pessoas regressadas e as comunidades afetadas, disponibilizando transporte, artigos de primeira necessidade, materiais para abrigo de emergência, assistência financeira e apoio na obtenção de documentação civil. Entre agosto e novembro, quase 415.000 pessoas regressadas do Paquistão receberam apoio do ACNUR e dos seus parceiros.

22,9 milhões

de pessoas no Afeganistão que necessitam de ajuda humanitária vital.

3,2 milhões

de pessoas deslocadas internamente devido ao conflito no Afeganistão.

4,3 mihões

de refugiados afegãos e requerentes de asilo estão registados nos países vizinhos.

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